quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Saudades dos e-mails trocados, de passear nos pensamentos largos, naquele encantamento todo...
Saudades de quando fazia sentido povoar isso aqui.
Saudades de ver raiar.

terça-feira, 21 de julho de 2009

lendo agora

“...escrevo-te toda inteira e sinto um sabor em ser. E o sabor-a-ti é abstrato como o instante. É também com o corpo todo que pinto os meus quadros e na tela fixo o incorpóreo, eu corpo a corpo comigo mesma. Não se compreende música: ouve-se. Ouve-me então com teu corpo inteiro."

Lispector

domingo, 12 de julho de 2009

Hora cinco - Eu nunca mais vou te olhar

Primeira vez que lhe disse 'eu me entrego', ele ficou assustado, achando que lhe oferecia algo como a submissão interessada de quem amacia a voz e pede esmolas. Eu me entrego, eu disse, e ele ouviu 'toma conta de mim'. Quis lhe dizer que quem se entrega, se entrega por dentro, exatamente porque não aceita o controle externo a si. Mas ele ficou parado, me olhando com uns olhos pesados. Seus olhos mais escuros e mais antigos

.: As horas de Priscilla que também se fazem tão minhas :.

Hora quatro - À beira

Distendo o dia entre o livro e a janela Evito o instante em que te perco sempre alongando o momento que te deixarei Quando numa praça num quarto no abismo de um dia qualquer eu te direi meu amor eu fui tão boa meu amor eu te dei tudo mas eu errei tanto eu não sabia que amor não era oferta eu não pensava que amor fosse silêncio fosse segurar o pranto que amor maior entre nós dois seria não te conhecer pois se me agarro a teu ressoar é porque me encanto com o que se esvai sabe aquele livro que me deste meu amor as páginas que tantas vezes se tocaram agora se esgotam e o perfume que imprimiste nelas agora é só a passagem do ar amor eu preciso tanto ser deixada por que é que não me deixas meu amor eu tenho carregado essas malas há tanto tempo esperando a manhã quando irias me dizer que eu não servia mais pra cuidar da tua casa alimentar teus filhos ocupar tua cama mas olha bem o que aconteceu tu não me reparas nem quando estou prestes nem quando estou quase nem mesmo quando eu estou à beira repara meu amor eu vou embora eu não volto mais repara bem meu amor eu nunca mais vou te olhar

hora dois - Inunda

Quando me toca, me alegram seus impulsos. Me alegra suas mãos serem breves, sua fala ser febril. Quero o desatar de suas palavras despencando no meu corpo, recebe-lo impulso , edema, lampejo. Quero sua presença se fazendo instante, sem receio da mácula, sem cansaço do olhar. Quero permanecer, porque na demora de nossas peles nos cabemos. Sem atar, sem estancar, sem inquirir. Quero o indizível se fazendo pele. Romper o contorno, que é esforço; desabar o fora, que é mentira. Anseio por me desfazer de rouquidões, abandonar trincamentos, dissolver acúmulos. Ser inteira e lúcida, na medida do meu próprio gesto; sem que calar seja o meu esforço, sem que a espera de ti seja o maior exílio de mim.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Aí a gente descobre que não é nada além de um tronco, cabeça, mebros e nervos.
'Principalmente nervos.'
"Deus me proteja de mim
E da maldade de gente boa
Da bondade da pessoa ruim
Deus me governe, guarde
Ilumine e zele assim.

Caminho se conhece andando
Então vez em quando
É bom se perder
Perdido fica perguntando
Vai só procurando
E acha sem saber

Perigo é se encontrar perdido
Deixar sem ter sido
Não olhar, não ver

Bom mesmo é ter sexto sentido
Sair distraído e espalhar bem-querer."